Dossiê com contratos, comprovantes financeiros e gravações teria sido entregue à Polícia Civil; empresários falam em prejuízos milionários
Por Marcello Sampaio
A pré-candidatura de Evandro Dal Molin à Câmara Federal enfrenta um momento delicado após empresários, lideranças políticas e dirigentes de associações relatarem ter protocolado um dossiê junto à Polícia Civil do Paraná contendo denúncias graves relacionadas à sua atuação institucional.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o material entregue às autoridades inclui contratos, transferências bancárias, registros de comunicação e gravações que apontariam para possíveis irregularidades na captação de recursos e na intermediação de projetos institucionais.
Os denunciantes afirmam que os prejuízos relatados ultrapassariam a casa dos milhões de reais. Os valores e circunstâncias específicas ainda estão sob análise das autoridades competentes.
Uso institucional sob questionamento
Dal Molin se apresenta publicamente como presidente nacional do “Marco da Criança e do Adolescente”, entidade voltada à promoção de políticas públicas para infância e juventude.
Entretanto, parte das denúncias questiona:
- A formalização jurídica da instituição
- A legitimidade de representações institucionais realizadas
- A utilização do nome da entidade em negociações com empresários e lideranças
Especialistas em direito institucional consultados pela reportagem reforçam que qualquer organização que atue na captação de recursos ou articulação política deve possuir registro formal, CNPJ ativo, estatuto público e diretoria regularmente constituída.
Impacto político
Nas redes sociais, Dal Molin vem se apresentando como pré-candidato a deputado federal. Até o momento, não há confirmação pública sobre eventual filiação partidária homologada.
Analistas políticos avaliam que, caso as investigações avancem, o caso poderá gerar repercussões no cenário eleitoral e constrangimentos para eventuais siglas que venham a abrigar sua candidatura.
Novo dossiê e possíveis depoimentos públicos
Fontes afirmam que um novo conjunto de denúncias foi recentemente formalizado e que pessoas que se dizem prejudicadas estudam conceder entrevistas públicas nos próximos dias, apresentando documentos e registros das negociações realizadas.
A Polícia Civil do Paraná não comenta investigações em andamento.
Direito de resposta
A reportagem entrou em contato com Evandro Dal Molin para manifestação sobre as denúncias apresentadas. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
EDITORIAL

A democracia exige transparência, especialmente de quem busca mandato público.
Denúncias protocoladas formalmente às autoridades não podem ser ignoradas. Também não podem ser tratadas como condenação antecipada.
Cabe às instituições investigar. Cabe à imprensa informar.
E cabe aos pré-candidatos esclarecer de forma clara, objetiva e documentada.
O eleitor merece respostas antes de depositar confiança nas urnas.
Marcello Sampaio

