PARANÁ

Investigação

VERÃO MAIOR PARANÁ

A festa milionária que o contribuinte paga — e o governo ainda precisa explicar por completo

Diário Secreto | Jornalismo Investigativo

INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTOMatéria baseada em documentos públicos; apuração contínua e aberta a manifestações oficiais.

O que começou como um programa voltado ao incentivo ao esporte, à saúde e ao lazer popular transformou-se, em poucos anos, em uma das operações culturais mais caras do Estado do Paraná.

O projeto Verão Maior Paraná, oficialmente apresentado como política pública de fomento ao turismo e à cultura, passou de ações comunitárias de baixo custo para uma estrutura marcada por contratos milionários, cachês elevados, despesas pulverizadas e ausência de consolidação clara dos gastos públicos.

Resumo da investigação

Levantamento do Diário Secreto, com base exclusivamente em documentos oficiais já publicados em portais de transparência, indica consumo de quase R$ 25 milhões em recursos públicos entre 2024 e 2026. O valor identificado é o piso comprovado — não o teto real da operação.

Atenção: o que este total não inclui

O número apurado não contempla, necessariamente:

  • aditivos contratuais;
  • publicidade institucional;
  • contratos paralelos;
  • despesas indiretas;
  • gastos diluídos em outras secretarias.

A escalada dos gastos públicos

▶ 2024

R$ 7.599.236,56

  • + de R$ 1,5 mi em direitos autorais (ECAD)
  • ~ R$ 5,7 mi em estrutura, RH, materiais, ambulâncias e apoio
  • ~ R$ 250 mil em atrações diretamente vinculadas

▶ 2025

R$ 14.943.730,63

  • R$ 13,2 mi em cachês de artistas nacionais
  • R$ 664 mil em atrações locais (inexigibilidades/termos)
  • ~ R$ 1 mi em logística, apoio técnico e estrutura

▶ 2026 (até agora)

R$ 2.415.000,00

  • R$ 2,2 mi comprometidos com ECAD
  • R$ 180 mil em contratações regionais
  • R$ 35 mil por dispensa

Total já identificado (2024–2026)

R$ 24.957.967,19

O total acima refere-se apenas a contratos que citam expressamente o Verão Maior Paraná ou a Operação Verão Maior. Ainda assim, não há planilha pública única que consolide o custo total do projeto.

Onde está a planilha consolidada?

Os eventos acontecem. Os palcos são montados. Os artistas se apresentam.

Mas o cidadão comum não encontra uma planilha clara, consolidada e auditável. Os dados aparecem fragmentados em diferentes secretarias, órgãos e modalidades de contratação, muitas vezes com exercícios financeiros cruzados.

Transparência ativa não é publicar partes. Transparência ativa é apresentar o conjunto.

Novo ponto de atenção: camarotes em eventos públicos

Outro aspecto que amplia o debate público é a possível comercialização de camarotes em eventos financiados com recursos públicos. Em diferentes locais do país, práticas semelhantes já motivaram questionamentos por órgãos de controle.

Pergunta central

Se o evento é pago com dinheiro público, quem arrecada com camarotes?

Questões objetivas que ainda carecem de esclarecimento público:

  • houve venda de camarotes ao público?
  • houve exploração comercial por empresas privadas?
  • quem recebeu eventual receita?
  • existiu contrato formal disciplinando a exploração?
  • os valores retornaram aos cofres públicos?

Nota editorial

Não se trata de acusação. Trata-se de direito à informação e de demanda por transparência ativa sobre recursos públicos e eventuais receitas privadas vinculadas a estruturas financiadas pelo Estado.

Mudança de modelo: do social ao evento milionário

Nas fases iniciais, o programa priorizava esporte comunitário, saúde preventiva e atividades continuadas.

Hoje, o foco se concentra em grandes shows, eventos sazonais, estruturas de alto custo e contratos concentrados. A mudança, por si só, não é ilegal — mas exige explicações proporcionais ao volume de recursos envolvidos.

Perguntas que precisam de resposta

  • Qual é o custo total consolidado do Verão Maior Paraná?
  • Por que não existe uma planilha pública única e acessível?
  • Quais critérios técnicos justificam inexigibilidades recorrentes?
  • Há estudos de retorno econômico real e verificável?
  • Existe medição objetiva de impacto financeiro?
  • Houve arrecadação privada em estruturas públicas? Como foi tratada?

Direito de resposta e atualização

Este conteúdo permanece aberto a manifestações oficiais e será atualizado caso novos documentos públicos sejam publicados ou esclarecimentos formais sejam apresentados.

DIÁRIO SECRETO Jornalismo Investigativo a Serviço da População.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *